As pontes térmicas: o calcanhar de Aquiles das casas portuguesas
Estima-se que as pontes térmicas representam 15-30% das perdas de calor de habitações portuguesas construídas antes de 2002 (ano em que o RCCTE passou a regulamentar o cálculo de pontes térmicas). Em apartamentos de betão armado dos anos 70-90, é comum haver uma viga ou pilar de betão a cada 3-4 metros de parede — cada um é uma “estrada” direta de calor para o exterior.
A consequência mais visível é o bolor — sinal de que a superfície interior está abaixo do ponto de orvalho. O bolor Aspergillus niger (o bolor negro) é um problema de saúde para pessoas com asma e alergias.
Temperatura mínima de superfície e ponto de orvalho
Com temperatura interior de 20°C e humidade relativa de 60% (valores típicos em Portugal no inverno), o ponto de orvalho é ~12°C. Qualquer superfície interior abaixo de 12°C terá condensação e subsequente crescimento de bolor.
A regulação DL 80/2006 (RCCTE) define o fator de temperatura de superfície mínimo fRsi = 0.71, o que corresponde a uma temperatura mínima de superfície de aproximadamente 14-15°C com as condições de projeto.
Custo-benefício das intervenções
| Intervenção | Custo estimado | Redução perdas térmicas |
|---|---|---|
| Isolar cantos (2-3 divisões) | 200-400€ | 5-10% |
| Isolar vigas/pilares visíveis | 300-600€ | 8-15% |
| Isolar toda a envolvente pelo interior (ETICS interior) | 3000-6000€ | 25-40% |
| ETICS pelo exterior (condomínio) | 8000-15000€ | 35-55% |
Para uma primeira intervenção focada, tratar as 2-3 divisões com bolor recorrente é o melhor retorno imediato em qualidade de vida e saúde.