Portugal é um dos países europeus com maior insolação — Lisboa recebe mais de 2800 horas de sol por ano, o Porto mais de 2400. Este recurso gratuito e abundante pode cobrir a maior parte das necessidades de água quente sanitária de uma habitação, reduzindo significativamente a factura de energia.
O solar térmico (não confundir com solar fotovoltaico, que gera electricidade) transforma a radiação solar em calor para aquecer água. É uma tecnologia madura, com décadas de desenvolvimento, e hoje é obrigatório em todos os novos edifícios residenciais em Portugal.
Como funciona um sistema solar térmico
O princípio é simples: o colector solar absorve a radiação solar e aquece um fluido térmico (glicol propilénico, anti-gelo). Uma bomba circula esse fluido até ao depósito de inércia, onde uma serpentina transfere o calor para a água sanitária. Quando os colectores estão mais frios que o depósito (noite, dia muito nublado), a bomba para automaticamente.
Circuito primário (fechado): Colectores → bomba → serpentina do depósito → colectores. Fluido: glicol propilénico.
Circuito secundário (aberto): Água fria da rede → depósito → AQS para consumo. Completamente separado do glicol.
Obrigatoriedade legal em Portugal
O Decreto-Lei 15/2022 (que substituiu o RSECE e o RECS) exige sistemas de energias renováveis para AQS em:
- Novos edifícios residenciais: 50% das necessidades cobertas por solar ou equivalente
- Grandes reabilitações (mais de 25% da área de envolvente): cumprimento dos requisitos de eficiência energética
Em edifícios existentes sem obra de reabilitação, não há obrigatoriedade — mas há forte incentivo financeiro através de programas de apoio.
Que tipo de colector escolher
Colector plano (plat collector)
- Preço: 250-450€ por colector de 2m²
- Eficiência máxima: 75-80%
- Funciona bem acima de 15°C de diferença colector-depósito
- Mais robusto, menor manutenção
- Recomendado para Portugal — óptima relação preço/rendimento
Tubos de vácuo
- Preço: 500-800€ por colector equivalente
- Eficiência máxima: 80-85%
- Mantém rendimento em condições difíceis (inverno, dias nublados)
- Mais frágil (granizo pode partir tubos)
- Indicado para locais de menor insolação ou sistemas de alta temperatura (piscinas)
Programas de apoio financeiro
Portugal dispõe de vários mecanismos de apoio:
PPEC (ERSE): Apoio a eficiência energética — periodicamente com tipologias para solar térmico.
PRR/IFRRU: Para reabilitação de edifícios com componente de eficiência energética.
Dedução IRS: As despesas com energia solar são dedutíveis em sede de IRS (30% das despesas até ao limite de 803€/ano).
Câmaras municipais: Vários municípios têm programas próprios — consulte a câmara local.
Para aceder aos apoios financeiros, a instalação tem de ser feita por empresa registada no DGEG como instaladora de sistemas de energia renovável e com emissão de factura. Uma instalação DIY não é elegível para apoios.