Em Portugal, a maioria das casas construídas antes dos anos 2000 tem vedações de portas e janelas muito degradadas — as borrachas endurecem com o calor do verão e o frio do inverno, e perdem a elasticidade que permite vedar eficazmente. O resultado: correntes de ar no inverno, infiltrações com chuva intensa e facturas de aquecimento desnecessariamente altas.
O impacto no conforto térmico
Uma janela com vedação degradada deixa passar ar equivalente a um furo de 5-8mm de diâmetro. Multiplique por todas as janelas e portas da casa e percebe-se o impacto. O REH (Regulamento de Desempenho Energético de Habitações) classifica a estanquidade do ar como um parâmetro de desempenho energético — nas reabilitações, a melhoria das vedações é frequentemente a intervenção com melhor relação custo-benefício.
EPDM vs. espuma de PE
Existe uma diferença significativa entre as vedações económicas (espuma de polietileno branca ou amarela, 1-2€/rolo) e as de qualidade (EPDM — borracha de etileno-propileno-dieno, cinzenta ou preta):
| Característica | Espuma PE | EPDM |
|---|---|---|
| Durabilidade | 2-4 anos | 10-20 anos |
| Resistência UV | Baixa | Alta |
| Resistência temperatura | Baixa | Alta (-40°C a +120°C) |
| Elasticidade | Boa inicialmente | Boa durante toda a vida |
| Preço | 1-3€/5m | 5-15€/5m |
Para vedações que durem, invista em EPDM — a diferença de custo amortiza em 2-3 invernos.
A vedação que mais se ignora
A vedação de topo da porta (o canto superior oposto às dobradiças) é frequentemente a mais deficiente — é onde a porta tem mais folga de fabrico e onde a borracha recebe menos pressão. Se o teste do isqueiro mostrar corrente nos cantos superiores, verifique o ajuste do fecho (espagnolete ou fechadura) — o mecanismo de fecho puxa a porta contra a borracha e se estiver descalibrado não cria pressão suficiente no topo.