O telhado é o maior emissor de calor em muitas habitações portuguesas — especialmente em casas de mansarda ou moradias dos anos 70-90 construídas sem qualquer isolamento. A reabilitação pelo interior é a solução mais acessível e pode ser executada em partes, sem obras exteriores.
O Princípio Físico que Orienta Tudo
O isolamento térmico funciona aprisionando ar parado. Quanto mais ar aprisionado por unidade de espessura, melhor o isolante (expresso como valor lambda — λ W/m·K). A lã de rocha tem λ = 0,033-0,040 W/m·K — o que significa que 100mm de espessura oferecem R = 2,5-3,0 m²K/W.
A barreira ao vapor protege o isolante de humidade que sobe do interior: ar quente interior transporta vapor de água; quando encontra a zona fria no interior do isolante, condensa. Sem barreira, o isolante fica húmido, perde eficiência e degrada-se.
Estrutura Correcta do Telhado Isolado (de cima para baixo)
Telhas
Membrana sub-telha respirável
Câmara de ar ≥25mm
Isolamento entre caibros (lã de rocha 80-120mm)
Isolamento cruzado (lã de rocha 40-60mm em ripas)
Barreira ao vapor (com fitas em todas as emendas)
Pladur 12,5mm
Esta sequência garante: drenagem de condensação acidental pelo exterior, não compressão do isolante, eliminação de pontes térmicas, e vedação ao vapor do lado interior quente.
Legislação: RECS e Certificação Energética
O Regulamento de Eficiência Energética no Sector dos Serviços (RECS) e o RCCTE (Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios) estabelecem U máximo de 0,50 W/m²K para coberturas em zona climática I1 (Lisboa) e valores mais exigentes para norte e interior. Na prática, 100mm de lã de rocha cumpre para a maioria das zonas climáticas portuguesas.
Para obras de reabilitação que pretendam obter certificado energético melhorado, o isolamento de cobertura é frequentemente a medida de maior custo-benefício disponível.