As caleiras são a primeira linha de defesa da sua casa contra a água da chuva. Quando funcionam mal — transbordando, com fugas nas juntas ou com tubos de queda entupidos — as consequências vão desde paredes húmidas e bolor até infiltrações nas fundações e cave. Um problema que custaria 50€ de manutenção pode facilmente transformar-se em 2000€ de reparação.
Quando substituir vs. reparar
Repare se: a caleira está basicamente em bom estado mas com fugas nas juntas (substitua os vedantes ou aplique mástique de poliuretano exterior), com suportes partidos isolados (substitua pontualmente) ou inclinação incorreta (reajuste os suportes).
Substitua se: fissurada ao longo do comprimento, muito porosa e com múltiplas fugas, completamente deformada por dilatação excessiva (problema de instalação original), ou com mais de 25-30 anos de PVC.
PVC: o dilema da dilatação
O PVC dilata 6-8mm por 10°C de variação de temperatura. Numa caleira de 10 metros exposta ao sol de verão (60°C de superfície) e gelo de inverno (-5°C em dias frios), a diferença de comprimento pode chegar a 40-50mm. Sem uniões de dilatação, a caleira curva-se e os suportes ficam entortados. Por isso, em PVC, use sempre uniões de dilatação (uniões com anel de borracha sem cola, não as uniões coladas) nos vãos intermédios.
A caleira mais pequena é sempre o maior problema
Por razões de custo, é tentador usar caleiras de 80mm em vez de 100mm. Mas num aguaceiro intenso de 50mm/hora (comum em outubro em Portugal), uma caleira de 80mm num telhado de 40m² transborda completamente. O sobredimensionamento custa poucos euros a mais mas evita anos de problemas.